
A mineradora australiana Oceana Metals concluiu a aquisição do projeto Serra Negra, voltado à pesquisa de terras raras e nióbio, localizado nos municípios de Patrocínio e Guimarânia, no Alto Paranaíba, em Minas Gerais. A operação representa mais um movimento de empresas estrangeiras interessadas no potencial brasileiro de minerais estratégicos.
De acordo com reportagem publicada pela CNN Brasil em 19 de outubro de 2026, a negociação foi realizada por meio da compra de 100% da Songeo Mineração, empresa responsável pelo empreendimento. A Oceana pagou US$ 2,95 milhões em dinheiro e emitiu aproximadamente 15,5 milhões de ações. O acordo prevê ainda pagamentos adicionais de até US$ 2,25 milhões, condicionados ao avanço das pesquisas minerais.
Área mineral apresenta resultados promissores
O projeto está situado na Província Ígnea do Alto Paranaíba, região reconhecida pela presença de complexos geológicos associados a minerais de interesse econômico. Segundo a companhia australiana, o complexo Serra Negra possui aproximadamente 10 quilômetros de diâmetro.
A reanálise de sondagens históricas ampliou a área conhecida de mineralização de terras raras, que passou a ultrapassar 4,5 quilômetros quadrados, conforme informações divulgadas pela empresa.
Resultados apresentados anteriormente identificaram intervalos de 50 metros com concentração média de 4% de óxidos totais de terras raras. Outro intervalo, de 22 metros, apresentou teor de 4,7%.
Apesar dos resultados, o empreendimento ainda não possui uma estimativa oficial de recursos minerais declarada. A confirmação da dimensão e da concentração da mineralização dependerá da continuidade das pesquisas e da avaliação técnica dos dados obtidos.
Perfurações buscam dimensionar o depósito
A Oceana Metals mantém quatro sondas em operação no projeto e conduz um programa de aproximadamente 20 mil metros de perfurações. A expectativa é divulgar, nos próximos meses, a primeira estimativa oficial de recursos minerais do Serra Negra.
Essa etapa será importante para avaliar a extensão do depósito, compreender melhor a distribuição dos minerais e reunir informações necessárias para os estudos seguintes.
A existência de resultados promissores não significa, por si só, que o empreendimento já tenha viabilidade econômica comprovada ou que a extração comercial esteja garantida.
Terras raras e nióbio têm importância industrial
O nióbio é utilizado principalmente na produção de aços especiais de alta resistência. Já as terras raras são importantes para a fabricação de ímãs permanentes empregados em veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos industriais, entre outras aplicações tecnológicas.
O interesse internacional por esses recursos está relacionado à busca por diversificação das cadeias de fornecimento de minerais estratégicos, em um mercado no qual a China possui participação expressiva.
Em Minas Gerais, o projeto Serra Negra se insere em um cenário de expansão de iniciativas de pesquisa e desenvolvimento mineral. Entre elas está o Projeto Araxá, conduzido pela australiana St George Mining, que se encontra em estágio mais avançado.
Segundo a CNN Brasil, a St George já identificou recursos minerais de 111,2 milhões de toneladas no Projeto Araxá, com concentrações médias de 3,57% de óxidos de terras raras e 0,57% de óxido de nióbio.
Pendências ainda precisam ser resolvidas
Mesmo com a conclusão da aquisição, a Oceana Metals ainda aguarda uma decisão da Agência Nacional de Mineração (ANM) sobre pedidos para incluir terras raras e nióbio em dois títulos minerários relacionados ao projeto Serra Negra.
De acordo com a reportagem da CNN Brasil, a manifestação definitiva é esperada para o primeiro trimestre de 2027.
O avanço do empreendimento dependerá dos resultados das pesquisas, da declaração de recursos minerais, dos estudos de viabilidade econômica, das autorizações necessárias e da obtenção de recursos para as próximas etapas.
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