3 de Outubro de 2026 às 10:12

Depois de 20 anos, Patrocínio perde liderança na produção de café no Brasil

As informações são do pesquisador e historiador Eustáquio Amaral, que assina um blog no Patrocínio On-line.

Depois de 20 (vinte) anos na liderança da produção de café no Brasil, Patrocínio perdeu o 1º lugar. Agora, em 2025, foi superado, com folga, por dois municípios capixabas: Rio Bananal e Linhares. No ano anterior, 2024, esses dois municípios já haviam se aproximado bastante do líder Patrocínio. As informações são do pesquisador e historiador Eustáquio Amaral, que assina um blog no Patrocínio On-line.

Outros dois municípios do Espírito Santo, embora ainda apresentem produção de café ligeiramente inferior, avançam sobre os números estatísticos da Capital do Café. Atualmente, Patrocínio segue tranquilo no 1º lugar em Minas Gerais, porém ocupa o 3º lugar no Brasil.

Vila Valério, em 4º lugar, e São Mateus, em 5º, ambos no Espírito Santo, também representam um desafio para Patrocínio, pois, em breve, poderão, da mesma maneira, deixar o município mineiro para trás.

Números precisos do IBGE demonstram o cenário desfavorável a Patrocínio e região, inclusive Monte Carmelo. O Sul de Minas e a região de Manhuaçu também se distanciam dos municípios do Espírito Santo, na mesma toada.

Mas é preciso considerar que o café Arábica vale mais de 55% do que o café Conilon do Espírito Santo.

Liderança que ficou para trás

A Capital do Café agora é o 3º lugar no Brasil, com a produção de quase 49.000 toneladas de grãos de café. Exatamente, segundo o IBGE, foram 48.669 toneladas.

Todavia, dois municípios do Espírito Santo ultrapassaram Patrocínio em 2025. O campeão foi Rio Bananal, com 69.000 toneladas, precisamente 69.219 toneladas. Portanto, produziu cerca de 20.000 toneladas a mais do que Patrocínio.

O vice-campeão, Linhares, colheu quase 64.000 toneladas, precisamente 63.720 toneladas.

E o ataque capixaba pressiona mais...

O 4º lugar no Brasil, logo atrás de Patrocínio, é Vila Valério–ES, com 45.000 toneladas. É outro município que poderá passar Patrocínio em breve. Isso, se os produtores patrocinenses deixarem “a banda passar”.

No 5º lugar está São Mateus–ES, com 42.900 toneladas em 2025. Lá morava a poetisa e escritora patrocinense Elza Lima, falecida há pouco tempo. Ela era também cronista da RedeHoje.

Só em Minas, Patrocínio continua campeão

O ranking de Minas Gerais quanto à quantidade produzida de café está assim: Patrocínio, com 48.669 toneladas, é o maior produtor. Manhuaçu é o 2º colocado, com 29.040 toneladas. Em 3º lugar está Monte Carmelo, com 27.938 toneladas.

Ou seja, Patrocínio produziu quase 21.000 toneladas a mais do que os carmelitanos.

O Sul de Minas completa a lista dos cinco maiores produtores com Ibiraci, com 26.352 toneladas, e Campos Gerais, com 25.068 toneladas, respectivamente em 4º e 5º lugares em Minas Gerais.

Outros grandes produtores mineiros em queda

Os cinco municípios da segunda divisão, situados em seguida no ranking, são: em 6º lugar, Três Pontas, com quase 25.000 toneladas. Em 7º lugar, a vizinha Serra do Salitre, com mais de 24.000 toneladas.

Em 8º lugar, perdendo pontos, está Araguari, com 22.500 toneladas. Depois aparecem as cidades universitárias de Alfenas, com pouco mais de 21.000 toneladas, e Rio Paranaíba, com mais de 17.000 toneladas.

Nessa baixa produção de café, Patos de Minas, Varginha e Guaxupé serão temas para as próximas edições.

Nos últimos 20 anos, a produção variou sem perder a liderança

Em 2005, Patrocínio produziu 28.795 toneladas. Em 2022, por causa da pandemia, foram apenas 34.859 toneladas.

Em 2023, Patrocínio registrou a maior produção de grãos de café da história do Brasil por município: 105.109 toneladas.

Em 2024, essa produção caiu mais de 40%, para 64.225 toneladas. Mas o 1º lugar continuava nas mãos de Patrocínio, embora Rio Bananal–ES e Linhares–ES já se aproximassem para disputar a liderança. Isso já era bastante visível.

Em 2025, houve a queda do “Império Romano” do café quanto à “quantidade produzida”.

Entretanto, quando entram em análise o mercado e a qualidade, o “valor da produção” ainda deixa Patrocínio como campeão, em 1º lugar no Brasil e em Minas Gerais.

Ranking do dinheiro da produção

R$ 1,6 bilhão para os patrocinenses. Precisamente, R$ 1.601.697.000,00 é o valor da produção de grãos de café de Patrocínio.

Era, foi e é o 1º lugar no Brasil e em Minas Gerais. O “será”, o futuro dirá.

Impressionante: o “valor” da produção de Patrocínio não cai

Desde 2004 até 2025, ano a ano, a curva é crescente. Quer dizer: mesmo havendo pequenas quedas e aumentos dos valores em alguns anos, o valor da produção patrocinense passou de R$ 100 milhões, em 2004, para R$ 1,6 bilhão, em 2025.

Mesmo considerando as reduções na produção quantitativa, o preço do café se manteve.

Conclusão: o mercado internacional do café de Patrocínio exige qualidade e sabor. Por isso, o preço não cai quando se considera um período maior, como os últimos 20 anos.

Mesmo quanto ao “valor”, Espírito Santo se aproxima

O café do Cerrado, especificamente o de Patrocínio, na regra geral, é melhor do que o do Espírito Santo. Mas isso também é tema para as próximas edições.

Por isso, mesmo com menor quantidade produzida, o seu valor de mercado é muito maior. Patrocínio ainda lidera quanto ao “valor da produção”.

Enquanto o valor da produção de Patrocínio, com 49.000 toneladas, vale R$ 1,6 bilhão, Rio Bananal–ES, com 69.000 toneladas, vale menos, R$ 1,58 bilhão. Já o vice-campeão na produção, Linhares–ES, com 64.000 toneladas, vale R$ 1,44 bilhão.

Portanto, mesmo com a qualidade inferior, os capixabas estão se aproximando de Patrocínio, que é 1º lugar no valor da produção e 3º lugar na quantidade produzida no Brasil.

Patrocínio no meio dos capixabas

Entre os dez municípios que mais produziram café no Brasil em 2025, Patrocínio é um “estranho no ninho”. Nove são municípios do Espírito Santo e apenas Patrocínio–MG aparece entre eles, ocupando o 3º lugar.

Por Estado, Minas Gerais continua em 1º lugar.

Diferença básica entre Minas e Espírito Santo

O Cerrado Mineiro, incluindo o Triângulo e o Alto Paranaíba, produz basicamente café Arábica, que é mais valorizado no mercado internacional.

O Espírito Santo produz muito da espécie Conilon, ou Canephora, e uma quantidade menor de Arábica.

O Conilon é mais denso, tem maior teor de cafeína e sabor mais neutro ou amargo. Já o café Arábica apresenta doçura natural e acidez equilibrada. Enfim, possui mais açúcares e óleos essenciais. É o que o mercado global prefere.

Preços médios atuais

O café Arábica varia de R$ 1.430,00 a R$ 1.670,00 a saca de 60 kg. Patrocínio, Varginha e Guaxupé têm preços similares.

A diferença é que Varginha e Guaxupé produzem pouquíssimo café.

O café Conilon é cotado em Vitória–ES entre R$ 892,00 e R$ 930,00 a saca de 60 kg.

Ou seja, quase uma saca de Arábica compra duas de Conilon.


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