5 de Agosto de 2026 às 20:29

Copom reduz taxa Selic para 14% ao ano e mantém discurso de cautela com inflação e cenário internacional

A decisão foi unânime e reflete a desaceleração gradual da inflação, embora as expectativas permaneçam acima da meta estabelecida pelo Banco Central.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira, 5 de agosto, a redução da taxa básica de juros da economia brasileira (Selic) de 14,25% para 14,00% ao ano. A decisão foi tomada durante a 280ª reunião do colegiado e foi aprovada por unanimidade.

No comunicado divulgado após a reunião, o Copom destacou que o ambiente externo continua cercado por incertezas, principalmente devido aos conflitos armados no Oriente Médio e às indefinições sobre a política monetária de algumas economias avançadas. Segundo o Banco Central, esse cenário exige cautela dos países emergentes diante da maior volatilidade dos mercados financeiros e dos preços das commodities.

Em relação ao cenário brasileiro, o Comitê avaliou que os indicadores econômicos apontam para uma moderação gradual da atividade econômica, embora o mercado de trabalho continue aquecido. Também observou que a inflação acumulada apresentou desaceleração nas divulgações mais recentes, mas ainda permanece acima do limite superior da meta.

As expectativas para a inflação seguem elevadas. Conforme a pesquisa Focus, a projeção é de 5,0% para 2026 e de 4,2% para 2027. Já a estimativa do Banco Central para o primeiro trimestre de 2028, considerado o horizonte relevante da política monetária, é de 3,2%.

O Copom ressaltou que os riscos para a inflação permanecem elevados, com predominância de fatores de alta. Entre eles estão uma possível desancoragem das expectativas inflacionárias, impactos dos preços do petróleo, efeitos climáticos sobre a produção agrícola e custos de energia, além da possibilidade de uma inflação de serviços mais persistente e de estímulos à demanda acima do esperado.

Por outro lado, o Comitê também considera que uma desaceleração mais intensa da economia brasileira, uma redução do ritmo da atividade global e uma queda nos preços das commodities podem contribuir para aliviar as pressões inflacionárias.

O Banco Central informou ainda que continuará acompanhando os efeitos da política fiscal sobre a economia e os mercados financeiros. Segundo o comunicado, a condução da política monetária seguirá baseada na evolução dos indicadores econômicos e das expectativas de inflação, de forma a garantir a convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante.

A decisão também busca preservar a estabilidade de preços, reduzir as oscilações da atividade econômica e contribuir para o pleno emprego.

Votaram pela redução da Selic o presidente do Banco Central, Gabriel Muricca Galípolo, e os diretores Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.


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