# Eustáquio Amaral

UM FEZ MILAGRES COM A FALTA DE LUZ; OUTRO APOIOU RUI BARBOSA

6 de Setembro de 2026 às 17:35

 

                                                                                                                

 

Celebridades. Em setembro, comemora-se datas em que dois patrocinenses partiram para o plano espiritual (falecimentos). Um, o decano do jornalismo em Patrocínio. E a saga continua até hoje, com os seus descendentes. O segundo, simplesmente o maior conhecedor de mecânica, que Patrocínio viu. Sem ter nenhum diploma universitário. São eles José Elói dos Santos e Gildo Guarda. Verdadeiras patentes patrocinenses. Que saudade!

 

PRIMEIRO JORNAL DE PTC – Em 1900, José Elói, juntamente com os intelectuais Leovigildo de Paula e Josias Batista Leite, criou o jornal “O Patrocínio”, o primeiro da cidade. Depois, Elói pertenceu à gestão do bom “Cidade do Patrocínio”, pertencente ao Cel. Honorato Borges, onde o redator era o astuto Padre Nicolau Catalan (político, padre e “namorador”). O “Cidade do Patrocínio” foi criado em 1909.

 

PAI DE UM MITO – Em 02/10/1938, ao lado de seu filho Sebastião Elói, criou o mais longevo jornal de Patrocínio: “Gazeta de Patrocínio” (agora, circulando apenas nas redes sociais). Destemido e intelectual, Tião Elói tornou-se a maior referência em jornal do Município.

 

NOME NÃO TEM NADA A VER... – Curiosidade. Segundo a escritora Fátima Machado, José Elói dos Santos nasceu em 30/11/1882. Filho de João Ferreira Almeida e Rita Geraldina das Mercês. Mas de onde veio o “Elói dos Santos”? Refletindo o pensamento da época, Zé Elói nascera no dia de “Santo Elói” (na verdade, hoje é no dia seguinte: 1º de dezembro). E “dos Santos” devido aos pais acharem bonito como sobrenome. Com o ex-escrivão do crime da Comarca (1917), José Elói dos Santos, começou a casta “Elói dos Santos”, tão marcante em Patrocínio.

 

POUCA GENTE SABE – Nos anos 50 e 60, José Elói andava pela cidade com o “Estado de Minas”, sua leitura diária obrigatória. Porém, antes, com quase 30 anos de idade, por volta de 1910, participou da Campanha Civilista, liderada pela inteligência chamada Rui Barbosa. Participou da criação da maçonaria na cidade (Sebastião Elói prosseguiu) e da Av. Rui Barbosa. Aos 94 anos, faleceu em 14 de setembro de 1976.

 

GÊNIO DA MECÂNICA – Gildo Guarda nasceu em Patrocínio em 23/06/1900, filho de imigrantes italianos. E sempre viveu na região da Igreja São Francisco e antigo Estádio Quincas Borges. Teve sete filhos (duas meninas e cinco meninos). Desses, três jogaram no Ipiranga e Flamengo (do Véio do Didino). O goleiro Marquinhos, o ponta Lívio e o camisa 9, Kleber (Klebinho). Gildo sempre pertenceu ao (antigo) PSD e foi muito amigo do prefeito Dr. Amir Amaral, o chamado JK patrocinense. Faleceu, aos 71 anos de idade, em 22 de setembro de 1971.  

 

ANOS 50: GILDO FOI A LUZ – As duas pequenas hidroelétricas de Patrocínio não suportavam a demanda energética do Município. A Cia de Força e Luz de Patrocínio era que distribuía a energia. Não havia luz nas ruas. À noite, para ouvir as rádios de São Paulo e Rio de Janeiro, era necessário ter um “transformador doméstico” (pequeno aparelho que aumentava a potência da energia para o rádio. Não existia pilha.). Nesse cenário, surgiu a proatividade do prefeito Amir Amaral, que conseguiu, em Uberaba, um grande gerador de energia a diesel (chamado pela população de “motor”). Todavia, necessitaria de um sábio para transportá-lo e montá-lo. E Patrocínio conheceu a luz verdadeira. Pelo menos, de 19h às 22h. Graças a Gildo Guarda. E esse gerador funcionou até a chegada da Cemig, em 1960.

 

MAIS AÇÕES DO INCRÍVEL MECÂNICO – Antes do grande gerador, doou pequeno gerador para a Escola Normal, o Ginásio Dom Lustosa dos Padres holandeses. E para a Santa Casa, com os seus enfermos, que também foi beneficiada com um pequeno gerador, montado pelo Gildo Guarda (o Cine Rosário tinha o seu geradorzinho próprio para a exibição de filmes).

 

E NÃO ERA SÓ ISSO – Automóveis e caminhões recebiam também o milagre das mãos de São Gildo! Isso por quase quarenta anos.

 

 

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