Polêmico. Mas é saudável discutir o desenvolvimento. Falar de progresso. Usar a economia para o bem geral da população. Há muito tempo, os números oficiais desfilam à frente dos gestores públicos e gestores produtivos. O (nosso) Agro é forte, muito bom. A indústria é apenas uma decepção, bem fraca. O PIB explica um pouco as consequências dessa discrepância. Principalmente, o PIB per capita (por pessoa). O emprego é somente razoável e o salário médio baixíssimo. O IDEB é vergonhoso (204º lugar em MG, quanto aos anos finais do ensino fundamental – Rede Pública). Então, faltam emprego, salários melhores e evolução socioeconômica. Em poucas palavras, faltam indústrias. Preferencialmente, de produtos in natura (oriundos) do Município. E o melhor, que causam insignificante poluição. Campeão mundial na produção do café (campeão brasileiro já é oficializado). Vice-campeão do Estado (MG), campeão do Brasil na produção de leite. Dois nobres produtos in natura. Nenhuma indústria de relevância. Algo merece ser ajustado. Merece atenção.
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CAFÉ: O CENÁRIO ANTAGÔNICO – Desde 2005, PTC é campeão do Brasil na produção do café. E do melhor café. Mais de 20 anos já se foram. Todavia, os benefícios da exportação são creditados (impostos, empregos, etc.) para outros municípios. Tal como Varginha, o “maior exportador de café do Brasil”. O IBGE demonstra que há carência de atenção e explicação. Enquanto Patrocínio produziu mais de 64.000 toneladas de café, Varginha produziu menos de 11.000 toneladas, e, Guaxupé pouco mais de só 5.000 toneladas. E a diferença aumenta quando é tratado o “Valor da Produção”. A produção patrocinense alcançou R$ 1,4 bilhão (é bilhão mesmo). Varginha R$ 230 milhões, ou seja, o valor da produção de café de Varginha corresponde apenas a 16% do valor de Patrocínio. Guaxupé, por sua vez, tem o valor de sua produção equivalente somente a 8% (oito por cento) do valor de Patrocínio. Patrocínio é incomparável!
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MEU DEUS, O QUE FAZER – A região de Patrocínio se especializou no “commodity” (produção do grão cru). É fato incontestável de que o lucro maior da cadeia cafeeira fica fora do Município. Tais como a torrefação, produção de cápsulas, marcas, exportação direta, etc. Patrocínio produz o ouro verde, mas vende o ouro bruto. Aí, perdendo empregos industriais, valor agregado e até identidade maior, em torno do café. As indústrias de café instalam em centros consolidados, atraídas pelos incentivos, mercado e até pela “valia” política. Exemplos, Uberlândia, Belo Horizonte, Varginha e Montes Claros.
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LEITE, OUTRO “DRAMA” MAL EXPLICADO – Patrocínio produz mais de 163 milhões de litros de leite ao ano. Em MG, apenas Patos de Minas o supera com 226 milhões de litros. Patos de Minas (1º), Patrocínio (2º), Coromandel (3º), Lagoa Formosa (4º) e Carmo do Paranaíba (5º), formam a maior bacia leiteira do Brasil. É bom repetir, do Brasil. Patos tem algumas boas indústrias lácteas (Cemil e Coopatos são algumas delas) e há anúncio de outras (como Laticínios Porto Alegre). Araxá que produz só 25% do leite patrocinense tem mais laticínios do que PTC. Para não falar nos laticínios em Uberlândia, Uberaba, Sacramento, e, veja bem, em Arapuá. Isso também para não dizer os queijos de Cruzeiro da Fortaleza, Serra do Salitre e Carmo do Paranaíba, que, em termo de mercado, deixam Patrocínio “comendo poeira”. O que não é justo, sob a ótica de produção de leite.
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VERDADE VERDADEIRA – Patos de Minas entendeu que leite não é só para ordenhar. É para transformar. Patrocínio para a intenção leiteira no curral (produz leite cru).
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CONCLUSÃO – Café e leite, a dupla mais famosa do País, têm em Patrocínio o seu grande produtor. Aliás, Patrocínio é o único lugar do mundo onde há produção significativa de café e leite, em um só tempo, no mesmo território. Mas falta visão ainda. Falta Política Pública de Economia: renda e emprego. Desenvolvimento é assim.
([email protected]) *** Primeira Coluna , edição de 01/02/2026, também publicada na RedeHoje.