# Milton Magalhães

Exercício de Amor a Patrocínio

16 de Fevereiro de 2026 às 13:03

Nenhuma descrição de foto disponível.Longe de nós a pretensão de orientar a conduta de quem quer que seja. Mas alguns janeiros de janela nos concedem um olhar mais dilatado sobre a vida comunitária. São pequenos - porém valiosos - insights em favor de uma cidade melhor para todos nós.

União de forças é o eterno mote. Não creio em caminho diferente. Agentes políticos e população em geral - todos que pisam este mesmo solo e respiram este mesmo ar - precisam caminhar na mesma cadência de respeito, responsabilidade e trabalho.

A lista que segue é deste mero ( fajuto mesmo) cronista, que jamais arredou os pés deste sagrado chão ao longo de seus mais de sessenta anos.

ANTANHOS TEMPOS

Há 207 anos - e lá vai pedrada - passou por nosso arraial o botânico francês Auguste de Saint-Hilaire. Infelizmente, não se impressionou com o que viu. Pudera. O pobre teve de dormir ao relento, pois a casa que o hospedaria estava infestada de pulgas e bichos-de-pé. Que perrengue! Mas era a realidade da época.

Em 1819, registrou ele que havia cerca de quarenta casas pequenas, de barro e madeira, dispostas em duas fileiras formando uma praça comprida, ao centro da qual erguia-se uma singela capela. Disse ainda que os moradores permanentes eram poucos: Alguns artesãos, modestos comerciantes, além de vagabundos e prostitutas.

VOILÀ, MONSIER!

O francês foi honesto com o seu olhar. Não havia o que se elogiar...Juro. Como eu gostaria que Saint-Hilaire REVISITASSE PATROCÍNIO HOJE. Se antes éramos um punhado de casebres de barro, hoje somos mais de cem mil habitantes - um salto extraordinário, sobretudo nas últimas cinco/seis décadas.

Ao reler o relatório franco e direto do viajante francês, cresce mais em nós o orgulho de ser patrocinense. Não sei se à época ele tomou sequer um cafezinho por aqui. Mas que prazer seria recebê-lo nos dias atuais! Levá-lo-ia às nossas praças, aos novos bairros, ao Museu Professor Hugo Machado. Entraria com ele na Igreja Matriz e Santa Luzia. Fazia questão de ir com ele à Cafeteria Dulcerrado. Ali, entre um café especial e outro, talvez ele já se arrependesse de não ter permanecido entre aquela gente simples e trabalhadora que, com esforço honesto, fez florescer esta terra. “Hoje, monsieur, Hilaire, somos o município que produz o MELHOR CAFÉ DO MUNDO”. Pagaria para ver o semblante dele. Subindo a Serra do Cruzeiro iria lhe dizendo que aquele lugar que ele descreveu como povoado rústico, hoje é um polo agrícola, educacional e empresarial, com protagonismo no agronegócio brasileiro. E do alto da Serra do Cruzeiro, faria questão que o francês contemplasse nossa vasta e pujante cidade. Depois complementaria: “Então, Monsieur, que tal... Eis o vilarejo onde você registrou ter visto somente:

“Alguns artesãos, modestos comerciantes, além de vagabundos e prostitutas”.

PATROCÍNIO - DOCE COLO DE MINAS

Aquele arraial paupérrimo, que já foi também apenas pousada de bandeirantes, garimpeiros, caixeiros viajantes, hoje chama-se PATROCÍNIO. E o nome significa destino: Amparo, auxílio, proteção, abrigo.

Nenhuma cidade - reafirmo com convicção - NENHUMA CIDADE, acolheu tantos filhos e filhas de outras terras com tamanha generosidade. Aqui, todos são patrocinenses.( Filhos) Não há adjetivos que segreguem. Receber bem É TRAÇO de nossa cultura. É identidade.

FALOU POR NÓS

O empresário Pedro Constantino, que conheceu algumas das maiores metrópoles do planeta, sintetizou certa vez com elegância:

“Para mim é Paris à noite, Nova York durante o dia e Patrocínio o tempo todo.”

Não, não afirmo que Patrocínio seja o Nirvana, o Éden, Pasárgada ou Shangri-La. Não é o céu descrito nas Escrituras.

Mas é, sim, uma cidade em CONSTANTE EVOLUÇÃO. E, para muitos de nós, a melhor cidade mineira para se viver.

Precisamos olhar o passado para saber de onde viemos; o presente, para reconhecer onde chegamos; e o futuro, para lembrar que SOMOS AGENTES DO AMANHÃ. Cidade nenhuma cresce dividida. Quando a política vira arena de vaidades, quem perde é o povo - e o futuro.

ÀS PORTAS DE MAIS UMA ELEIÇÃO

A vaidade aflora, o oportunismo dá sinais, projetos pessoais se sobrepõem ao coletivo. Já vimos esse filme - e conhecemos o desfecho: Centenas de candidatos... nenhum eleito.

Custamos a conquistar respeito. Chega eleições, a vaidade política, atravanca tudo. Houve tempos em que olharam para nós com desdém. Hoje somos uma cidade estruturada, produtiva, relevante.

Minha tônica sempre foi clara: Respeito ao passado e ação responsável rumo ao futuro.

Segue, portanto, este EXERCÍCIO DE AMOR A PATROCÍNIO :

> RESGATAR em geral, a autoestima e o orgulho de ser patrocinense.

> ARREGIMENTAR todos que amam esta cidade acima do proselitismo partidário, que tantas vezes nos divide.

> PLANEJAR estrategicamente o desenvolvimento socioeconômico e cultural a curto, médio e longo prazo.

> FORMAR uma cultura regional perene: Todo mundo que for abençoado com um bom lucro, uma boa safra, ajudar o Hospital do Amor, a APAE, Casa da Menina, ou Lar da Criança.

> NÃO se deixar manipular em períodos eleitorais. O poder democrático não tem dono.

> APOIAR candidaturas capacitadas e comprometidas com a grandeza de Patrocínio.

> COMBATER com firmeza o tráfico de drogas e toda forma de criminalidade.

> FORMAR novas lideranças, éticas e ficha limpa.

> FORTALECER empresas tradicionais e incentivar novos investimentos.

> VALORIZAR associações sérias, sindicatos, conselhos e ONGs atuantes.

> FUNDAR em todas as cidades, estados e países, apaixonadas associações de patrocinenses ausentes.

> JAMAIS confundir inchaço populacional (novos bairros) com crescimento econômico planejado e sustentável.

> ERRADICAR o analfabetismo e a miséria, com políticas públicas eficientes.

> INCENTIVAR a leitura, sempre.

> PROMOVER saúde, lazer e qualidade de vida aos idosos.

> IMPLANTAR cursos técnicos e profissionalizantes gratuitos para jovens.

> FIXAR talentos. Criar condições para que nossos jovens não precisem ir embora para realizar seus sonhos.

> PRESERVAR os trilhos para um trem turístico, símbolo de memória e desenvolvimento.

> RESGATAR a salutar imprensa livre, independente e responsável em Patrocínio.

> PRESTAR contas rigorosamente na gestão pública - dinheiro público não é capim.

> EXIGIR que agentes políticos compreendam que não são ALTORIDADES. São apenas EMPREGADOS do povo.

> MONITORAR o crescimento urbano com planejamento sustentável.

> VALORIZAR o produtor rural, seja do café, sobretudo, hoje do leite.

>A SABER. É um crime. O produtor de leite vender a menos de R$ 2,00 na porteira do curral e alguém comprar em torno de R$ 5,00 em supermercados.

> AVANÇAR. Patrocínio passou fazer parte do Mapa do Turismo Brasileiro. É hora de avancar.

> RENOMEAR a Secretaria de Cultura, Turismo, para: Secretaria de Cultura, Turismo e Economia Criativa, focando nos pontos altos do município de forma visionária, inclusiva, profissional, forte e estruturante. A alteração da nomenclatura alinha o Município às modernas diretrizes de gestão pública. Gera emprego, renda e desenvolvimento efetivo.

> DESAPROPRIAR de uma vez por todas através do estado, o Parque Hotel Serra Negra.

> LUTAR pelo título oficial de Capital NACIONAL do Café (PL 549/2023, de autoria do deputado Zé Vitor) - Logo em seguida ( aí, sim) lutar pelo título de Capital MUNDIAL do Café.

> CONSTITUIR o Museu Mundial do Café, honrando, sobretudo, nomes como Silas Brasileiro.

> CONSTRUIR o Museu Regional do Esporte. Antes do Cap o futebol foi forte em Patrocinio. ( Sugestão de nome: Véio do Didino ou Rondes Machado)

PRESERVAR a memória oral dos pioneiros - gravar, documentar, registrar antes que o tempo leve tudo.

> REVER contratos que impactam nosso patrimônio mineral, com extrema firmeza e muita cordialidade, garantindo compensações justas ao município.

> DIALOGAR com empresas globais e outras instaladas aqui, exigindo ferrenhamente contrapartidas sociais, culturais e ambientais à altura da riqueza extraída desta terra.

> SENDO MAIS CLARO. Não nos interessa somente ter uma empresa global em Patrocínio, presente em 40 paises, como a Mosaic, explorando nossa matéria- prima por 50 anos. É vaidade boba.

> NA REALIDADE. Por exemplo: O que o Instituto Mosaic tem feito por Patrocínio? Precisamos saber exigir: Todo projeto sócio, ambiental e cultural que a companhia tem feito nos Estados Unidos, Canadá, China e India, precisamos que façam aqui em Patrocínio.

> REIVINDICAR, sim. Com firmeza. Mas sempre com civilidade, elegância e inteligência estratégica.

> BUSCAR gente que domina a linguagem do universo corporativo ( Não políticos com blá, blás em mídias sociais e lideranças ainda nas fraudas ) E estes, estreitar contato com a presidência e alto Conselho da Mosaic. É vital: O atual contrato do Projeto Salitre, “só vem a nós”, é lesivo para o futuro de Patrocínio - Que não é mais um arraial.

> PARA TANTO criar uma comissão técnica permanente de acompanhamento às movimentações da empresa; transparência pública anual dos royalties;

Buscar acesso a relatório comparativo internacional de contrapartidas onde a empresa atua.

Este é apenas um manifesto - sincero - exercício de amor ao passado, ao presente e ao futuro de Patrocínio.

Porque amar uma cidade não é apenas elogiá-la. É cuidar dela. É defendê-la. Cuidar do nosso futuro comum. É saber de onde viemos, onde estamos e onde poderemos chegar.

( Mais ou menos 150 anos separa uma foto da ourta... Como estaremos daqui a 150 anos? )