# Eustáquio Amaral

ATLETA DO FLAMENGO PATROCINENSE ATUOU COM PELÉ, TOSTÃO E CIA, E, NA EUROPA

31 de Maio de 2026 às 13:29

 

        

 

 

 

 

Futebol. É um esporte muito admirado. Por diversas vezes, este minifúndio, em seus mais de 48 anos de existência apontou os maiores craques de Patrocínio, patrocinenses ou não. Vestindo camisas de clubes profissionais ou amadores da cidade, na história do futebol de Patrocínio. A recente despedida do Hulk do Galo motivou indiretamente a recordação de um deles. Um superstar que jogou no Flamengo patrocinense (do Véio do Didino), no começo dos anos 60. E outro superstar também desse Flamengo, que encantava a região. Esse, da mesma maneira, chegou ao podium dos maiores jogadores de Minas, quiçá do Brasil. Mas na década anterior (anos 50). São eles, Bougleux (Buglê) e Múcio. Nenhum deles nasceu em Patrocínio, porém viveram aqui. São patrocinenses adotivos.

 

 

VOTADO COMO UMA DAS LENDAS DO GALO – Nessa votação promovida pelo GE. Globo, em 07/05/2026, Reinaldo ficou disparado em primeiro lugar com 189 pontos (Reinaldo já veio algumas vezes a Patrocínio, sempre motivado pelo atleticano e ex-vereador Deley Despachante). Em 2º lugar Hulk, com 127 pontos (veio a Patrocínio, mas não jogou contra o glorioso CAP). Em 3º lugar, o fenomenal Ronaldinho Gaúcho, com 80 pontos. Até aqui nenhuma novidade. Realmente, são as três maiores lendas do Atlético Mineiro, em sua história. Porém, nessa votação de 50 jornalistas, um nome agradou aos patrocinenses da “melhor idade”. Bougleux também foi votado como uma lenda do Atlético.

 

QUEM VOTOU EM BOUGLEUX? – Milton Neves, ex-TV Band, Rádio Bandeirantes-SP, Jovem Pan e Folha de São Paulo cravou em 1º lugar Dadá Maravilha (Dário), em 2º lugar Reinaldo e em 3º, Buglê. Cada jornalista dos 50 jornalistas brasileiros pôde escolher três lendas. A pergunta do GE foi: “quais são os três maiores da história do Galo?” Buglê ou Bougleux teve a mesma votação de Tardeli, Éder Aleixo (o “Bomba”), e o artilheiro Mário de Castro.

 

QUEM É BOUGLEUX – José Alberto Bougleux, conhecido pelo “aportuguesado” nome Buglê, nasceu em 1944, em São Gotardo. No final dos anos 50 e comecinho dos anos 60, Buglê sempre visitava PTC, e, passava longa temporada com o seu tio Hélio Bougleux, fazendeiro, apaixonado pelo futebol (vascaíno e CAP). Residia à Rua Governador Valadares, quase esquina com Rua Tobias Machado. Nessa época, Buglê conviveu com os seus primos (filhos do Hélio), Wilson e Everardo (esse o “Nelinho patrocinense”, falecido).

 

FLAMENGO RANGELIANO E BUGLÊ – No começo dos anos 60, Buglê pertencia às categorias de Base do Galo. No Flamengo (da lenda de Patrocínio, Véio do Didino), Buglê jogou com Romeuzinho, Dizinho, Peroba, Dedão, Macalé, Gato (irmão de Dedão), e, Totonho Figueiredo (único sobrevivente). Uma equipe dos sonhos, jamais vista na cidade. Embora puramente amadora, era uma academia da bola.

 

BUGLÊ JOGOU COM PELÉ, TOSTÃO E NA ESPANHA – O primeiro gol do Estádio Mineirão foi marcado pelo Buglê. Isso atuando, na Seleção Mineira, ao lado de Tostão, Dirceu Lopes (esses dois ainda muito jovens) e Jair Bala. Pouco depois (1967/1968), foi “vendido” ao incrível Santos de Pelé, Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, goleiro Gilmar, Mauro e Rildo (todos campeões do mundo). Posteriormente, foi para o campeoníssimo Vasco da Gama de Brito (campeão em 1970), Andrada (goleiro argentino que levou o milésimo gol de Pelé) e outras “feras”. Isso entre 1968 a 1974. Buglê atuou também pelo Atlético de Madri e Sporting de Portugal. Encerrou sua carreira no então bom América de BH, em 1975.

 

ONDE ESTÁ BOUGLEUX? – Depois de vestir as camisas do mágico Flamengo (do Véio do Didino), Galo (campeão mineiro de 1963), Seleção Mineira, Santos, Vasco, Espanha, Portugal, América Mineiro, Buglê passou a residir em Brasília. As últimas notícias davam ele como portador da doença de Alzheimer (desde 2014), residindo em uma chácara. Se vivo, está com 82 anos de idade.

 

MÚCIO, QUASE PATROCINENSE, ASTRO DA BOLA – Múcio nasceu em Carmo do Paranaíba. Tal como o seu amigo Véio do Didino. Augusto Caetano, seu pai, mudou-se, com a família, para Patrocínio, no final dos anos 40, atraído pela excelência do Ginásio Dom Lustosa. Justamente, a família foi residir à Rua Afonso Pena, em frente à Escola. E o menino Múcio lá estudou, defendeu a boa equipe do Dom Lustosa, depois Ipiranga e Flamengo de Patrocínio. No início dos anos 50, dirigiu-se a BH para estudar e jogar futebol. Já em 1955, era o camisa 5 (meio de campo) do Atlético, pentacampeão mineiro. Segundo o escritor Plínio Barreto, Múcio era correto, eficiente e dotado de alta técnica, que o fizeram titular absoluto da Seleção Mineira. No final dos anos 50, era o titular do poderoso Palmeiras, lá em São Paulo. Depois, transferiu-se para o Santa Cruz, de Recife. Nessa época, a melhor equipe nordestina.

 

QUE FIM LEVOU MÚCIO? – Além do futebol, Múcio era um intelectual. Formou-se em Agronomia e Direito. Atuou em Brasília, e lá também foi funcionário da estatal NovaCap, nos anos 60. Nos anos 70, faleceu na capital federal, por questões com a bebida.

 

EM PATROCÍNIO, SHOW DE FUTEBOL – Maior craque que pisou o legendário Estádio Quincas Borges (próximo à Igreja São Francisco), existente até 1962. No Flamengo, do Véio do Didino, atuava com a “9” (centro-avante). Atuou com Rondes, Blair, Véio, Camilo, Pedrinho (que também foi do Galo Mineiro). A família de Múcio e ele consideravam-se patrocinenses.

 

                                                                         P A L A V R A     F I N A L

 

SAUDADE – Desde ontem, sábado, dia 30 de maio de 2026, o corpo de um mito genuinamente patrocinense está no seio de sua terra, que tanto amou. O amigo Joaquim Correia Machado faleceu. Mas o seu carisma continua entre nós. Nossa eterna gratidão, Quinca do JP!

 

([email protected])   ***   Primeira Coluna, edição de 31/05/2026, publicada também na RedeHoje e redes sociais.